Sexta-feira, Novembro 20, 2009

O dos outros e o nosso

Uma questão interessante que deve ser levantada é o comportamento que as pessoas devem adotar ou adotam quando os nossos interesses são os que estão sofrendo algum tipo de mitigação, perante o interesse de outros. Pego como exemplo uma situação que ocorreu com o nosso país e outra que está ocorrendo.

A primeira está relacionada ao que ocorreu com a nacionalização dos investimentos brasileiros na Bolívia por parte do presidente Evo Morales. Muito foi discutido sobre o que o Brasil deveria fazer, sobre o quão absurdo foi à ação do presidente boliviano, chegando os mais exaltados a erguer a bandeira de uma invasão brasileira.

A outra situação é mais recente e ainda não foi alvo de uma solução. Está relacionada ao desenvolvimento brasileiro de tecnologias ligadas ao desenvolvimento de combustíveis alternativos, com extração a partir da cana. Os biocombustíveis se apresentam como uma das alternativas para a dependência mundial em relação aos combustíveis fósseis e sobre os efeitos nefastos que esta tem sobre o meio ambiente.

Posto esses dois casos vamos considerar algumas situações e ver como deveria ser o discurso e como este é.

O primeiro caso é um típico de imperialismo. Um país utilizando dos recursos do outro, ressaltando que tal exploração ocorria a preços risíveis. Existe diferença entre o imperialismo brasileiro e qualquer outra forma de imperialismo? Uma vez contra a exploração estaniudense dos potenciais de outros países, inclusive no Brasil, não deveríamos ser igualmente contra a exploração brasileira a outros países? Esse foi um dos primeiros pontos a quais pessoas com opiniões sobre uma possibilidade modificam seu posicionamento quando o Brasil figurava como o opressor. Deveria existir essa diversidade de posicionamento?

O outro tema, biocombustíveis, é outra situação em que algumas pessoas podem sofrer um embate ideológico. A tensão entre a ideologia e o nacionalismo. O Brasil desenvolveu essa tecnologia, como é notório, e esta pode ser uma das grandes salvações para o globo para a questão ambiental. Qual deveria ser o posicionamento brasileiro em relação ao resto do mundo? A questão gira em torno da propriedade intelectual. Deveria está ser quebrada a patente em prol da humanidade, ou deveria ser mantida em prol de interesses particulares, por mais que seja uma nação, não deixa de ser um interesse secundário.

Boa parte das pessoas defende a ausência da propriedade intelectual, sendo o conhecimento pertencente à humanidade, não as pessoas específicas. O que deveria ocorrer seria uma utilização por parte da humanidade, não podendo ocorrer à submissão a interesses privados. Mas, mais uma vez, o Brasil encontra-se no pólo diferente da situação. Seu interesse será mitigado. Qual a resposta que deveria guardar compatibilidade com a ideologia daquele, mesmo brasileiro, que opta pela globalização da propriedade intelectual? Deveria ser pela concessão brasileira da tecnologia para os outros países, para que estes possam produzir.

O objetivo do seguinte comentário é justamente uma uniformização de opinião para situações onde o nosso está em detrimento, e que quando são os outros as pessoas são veementemente contra. Não é pelo fato de que interesses residuais possam vir a ser prejudicados que devemos deixar de lado posicionamentos anteriores adotados em certas situações, devemos manter a coerência ideológica e optar em todas as situações pela mesma solução, quando não há divergência substancial.

Por Evandro Alencar

Sexta-feira, Novembro 13, 2009

Liberdade de Compartilhamento


Um assunto bastante polêmico e hodierno é o da livre troca de arquivos entre usuários da rede mundial de computadores. O compartilhamento de arquivos é a atividade de tornar filmes, músicas, assim como diversos outros tipos de arquivos, disponíveis para download na internet.

Acontece, porém, que tanto a indústria fonográfica quanto cinematográfica tenta frear, a todo custo, o avanço desse novo sistema de distribuição de informação e de cultura. Ora, os grandes produtores não querem ter seus lucros reduzidos. Alguns desenvolvedores de programas de compartilhamento, kazaa e Napster, por exemplo, foram processados judicialmente nos Estados Unidos por promover o compartilhamento de arquivos.

Surge, então, a seguinte interrogação: O direito de lucro do produtor de um filme (por exemplo) é mais importante do que o meu direito de informação?

Certa vez um professor meu afirmou, durante uma de suas aulas, que repudiava, veementemente, o compartilhamento de arquivos. Acreditava ele, e acho que ainda acredita, que são mais importantes os direitos intelectuais do produtor do que o direito à informação gratuita.

Assim rezava a opinião do docente: “Ora, eu só assisto, ouço e leio aquilo que eu tenho como adquirir. O que eu não posso comprar eu não compro num camelô nem baixo na internet. Só leio um livro se tiver condições de pagar por ele, caso contrário, paciência.”

Talvez, para esse professor, não seja tão difícil obter o livro que tanto almeja ler, pois possui recursos para tanto. Mas será que aquele indivíduo de classe menos favorecida também não tem o mesmo direito à informação? Deve ele esperar eternamente para comprar o livro que ambiciona ler ou o filme que quer assistir? Até que ponto pode-se privar alguém do direito de informar-se?

A informação deve ser dispersa e, não, concentrada nas mãos dos mais afortunados. É inconcebível que ela permaneça ad infinitum sob o domínio das mesmas pessoas.

Alforriemo-nos intelectualmente!

Afinal, fazer dinheiro não é o objetivo da cultura.

Por André Felipe

Quarta-feira, Novembro 11, 2009

Penso, logo existo?

É impressionante como hoje passamos a viver num mundo onde, cada vez mais, pensamos cada vez menos. É desde a mentalidade do concurseiro de plantão, cuja mediocridade do estudo reside no fim de só e somente só ser admitido em um cargo, nem mesmo interessando a atividade a ser desempenhada, até aqueles que passam uma parte da vida sentados num banco da faculdade sabendo que odeiam aquilo, mas esperam meio que uma providencia divina que os farão ter sucesso. Ainda mais, quando tentamos tomar um caminho oposto ao do "senso comum", somos taxados de tolos ou malucos.
Esquecemos hoje o que é o movimento estudantil. Estudar história só é importante enquanto matéria para o vestibular. Filosofia = lombra.
Quando pensamos em reivindicação, os conselhos são de que briga não nos leva a nada, e, mais tarde, poderemos precisar daqueles que queremos bater de frente. As amizades só possuem vínculo enquanto subsistirem interesses.
É ridículo quando simplesmente "criamos" um senso de moral ex nihilo para criticar os outros, sem quaisquer conhecimentos das circunstâncias e sem nem mesmo nos dar o trabalho de pensar o que faríamos se fossemos nós mesmos.
Talvez alguns dos pressupostos básicos da filosofia, criticidade e reflexividade, possam não ser tão fúteis assim.

Quarta-feira, Outubro 28, 2009

Não somente nas páginas dos manuais de filosofia e nos livros clássicos pode-se encontrar o conhecimento. Nas singelas conversas com os transeuntes, dos mais sórdidos e simples aos mais “requintados”, por vezes encontra-se o módico, mas profundo conhecimento que a vida leciona de forma tênue, mas com profundidade e extrema compatibilidade com a realidade. A vida trata de ensinar com o tempo as lições que nós buscamos nos livros. Afinal, as elaborações teóricas são frutos da observação da realidade prática unida com a divagação.

Outra forma tão importante quanto à observação da realidade, para o crescimento humano, é a música. Essa forma sensacional e profunda que ecoa no do fundo de nossas almas e chega como uma síntese do amalgama de sentimentos que envolvem as nossas personalidades são uma das mais belas e sensacionais formas de atuação do ser humano.

Depois dessas considerações iniciais, chego ao ponto que objetivo. A análise de uma música que, na minha simples ótica, demonstra o sentimento de tantas e tantas pessoas diante do ritmo frenético e sem sentido da modernidade. Tal música é “Minha Alma” que a banda O Rappa canta, de composição de Marcelo Yuka. Segue o link da música para os comentários adiante:



Uma leitura atenta da letra da música revela um sentimento que a cada dia envolve o ser humano moderno, combinando fragilidade e desespero. O ritmo frenético da modernidade, o processo de individualização e distanciamento do seres humanos, a falta de fatores unificantes levam o ser humano a se questionar sobre a sua própria existência.

O pseudo sentimento de estabilidade, sossego e tranqüilidade, que é passado em razão das grades que nos protegem das mazelas que negamos, na verdade nos excluem da própria vida. Deixam-nos à mercê da realidade e da vida. Passamos a ser meros expectadores de um circo em que optamos, ou talvez compelidos e atuamos como desconhecidos uns com os outros e sem grandes fatores que nos façam sentir realmente vivos, com sangue passando pelas nossas veias.

Os domingos recheados de entretenimento vagabundo tratam de afundar cada vez mais o ser humano na situação pusilânime que se encontra. Somos instigados a comprar coisas que não precisamos e tantas outras ferramentas funcionam como uma grande anestesia cerebral para a estabilidade da situação de uma minoria que lucra com a decadência de muitos.

A constante procura por novas drogas, de todos os tipos e gostos, é uma tentativa talvez inconsciente de negar a própria realidade, o processo de emancipação espiritual e social é de tão maneira árduo que preferimos acreditar que a situação está bem da forma posta do que lutar por uma efetiva modificação da situação.

Até quando vamos aceitar a realidade medíocre não somente nossa, mas de tantos outros que vivem numa situação por vezes pior, bem pior, vendo o futebol e esperando o Faustão, tomando uma cervejinha? Até que ponto o medo e a indiferença vão tomar conta de nossas mentes e comportamento?

III Curso de Oratória

"Em nossa sociedade atual a verdade não é mais uma questão de autoridade, mas de convencimento." Romenik Queiroz

Primeiro encontro do Curso de Oratória contou com diversos alunos de Fortaleza:

Queremos comunicar a todos que o I Encontro do Curso de Oratória (Comunicação Integrada) foi realizado no dia 24 de outubro e foi uma grande contribuição para os que estavam presentes. No momento, chegamos a um consenso e adiamos o II encontro para o dia 7 de novembro (Sábado) para formarmos uma nova turma para o dia 31 (sábado/outubro) e assim, o término do curso acontecerá no dia 7 de novembro com as turmas que iniciaram o curso nos dias 24 e 31 de Outubro.
Será uma troca de experiências, onde a timidez será enfrentada em benefício do convencimento.
31/10 e 7/11
Horário: 8:00 as 12:00 horas.

Facilitador do Curso e Organizador: Romenik Queiroz- 81340674/romenikqueiroz@hotmail.com

Sábado, Outubro 24, 2009

Um Elogio ao Ócio



Um dos grandes problemas vividos hoje se volta para a falta de tempo enfrentada pelo homem, principalmente, devido ao que podemos chamar de "crença nas virtudes do trabalho".

Antes de entrar no mérito acerca dessas virtudes, é necessário dizer que, de modo algum, não trabalhar é o melhor caminho a ser seguido. Muito pelo contrário, o trabalho é necessário para que possamos suprir muitas de nossas necessidades. É com o dinheiro arrecadado que podemos nos alimentar, comprar vestimentas, cuidar da saúde, higiene, etc.

No entanto, é importante distinguir até que ponto o trabalho é realmente necessário e até que ponto o mesmo é apenas feito como forma de se mostrar como um ser competente. Hannah Arendt, na obra "A Condição Humana”, mencionava três atividades fundamentais do ser humano: o labor, o trabalho, a ação. A primeira se trata do processo biológico pela sobrevivência. A segunda se refere ao fazer, criar, um produto por técnica ou arte; no que os gregos chamariam de “poiesis”. A terceira se exerce entre os homens, sem mediação das coisas ou da matéria, ou seja, a própria práxis.

Observa-se hoje a tendência do mundo industrial em transformar toda a atividade em labor. Talvez através de uma estruturação de um sistema de valores que impõem o trabalho como condição essencial de dignidade, talvez com o repúdio ao ócio, sendo este tratado como, na maioria dos casos, o melhor lugar para que se produzam os vícios. Crê-se que o trabalho é bom e, ainda que você de algum modo não precise dele, deve fazê-lo, visto que o mesmo é tratado como sinônimo de honestidade, de integridade moral, de respeitabilidade. Até mesmo na seara criminal, o trabalhador é visto como um homem de bem, com grandes chances a obter os mais diversos benefícios legais que possam lhe garantir uma possibilidade de responder um processo em liberdade.

Pode-se dizer que essa mistificação do trabalho teve um dos seus ápices na reforma protestã, encadeada por Calvino, em que se consideravam salvos aqueles escolhidos por Deus e, para que se pudesse provar ser um escolhido, seria necessário seguir os princípios cristãos e, principalmente, trabalhar muito. Assim, o sucesso no trabalho é um dos sinais de que você foi escolhido para ser salvo.

Porém, sociólogos, como Weber, demonstraram que esse apego exacerbado ao trabalho, em parte, explica o precoce desenvolvimento do capitalismo em lugares onde o Calvinismo foi mais intenso, tais como Holanda e EUA. E, a partir dessa perspectiva, é que o trabalho, aqui tomado no seu sentido econômico, que visa à produção de riqueza, começa a tomar proporções extremamente desfiguradas e, em certa medida, é considerado um valor quase sublime, cujas consequências, dentre outras são as aversões ao não trabalho.

Bertrand Russel, em “O Elogio ao Ócio”, demonstra muito bem como o ócio é, em grande parte, responsável pelas evoluções sociais. Basta fazer uma linha histórica, em que os grandes pensadores vieram da classe ociosa, ainda que esse ócio se deva ao sobretrabalho dos outros.

Tendo-se em vista a disparidade entre o número de pessoas que realmente contribuíram para o progresso social e a quantidade dos que nada fizeram, é o ócio a maneira capaz de proporcionar uma vida em sociedade muito mais leve, já que é muito mais fácil encontrar a felicidade e a realização pessoal no lazer do que propriamente no trabalho. Assim, a não exaustão proveniente do trabalho combinada com uma quantidade de lazer o suficiente podem redirecionar a capacidade criadora do ser humano para a realização “de alguma atividade pública, e [...] não terão a originalidade tolhida e nem a necessidade de se amoldarem aos padrões estabelecidos pelos velhos mestres” (O Elogio ao Ócio. Bertrand Russel. Pág. 35).

Edvaldo Moita

Quarta-feira, Outubro 14, 2009

Uma querida linha


Resplandecer diante dos fenômenos naturais da vida significa atingir o mais alto cume do sentir. É elevar-se em uma dinamização sentida no respirar ofegante na ausência dos abraços e do fitar dos olhos que castanhos clareiam um coração em chamas. "é transformar um minúsculo" gesto em uma contemplação ELEVADA... Que alcança o embelezar do sorriso que não mais nos pertence. Nos constantes ermos sentidos na fraqueza salgada (lágrimas enamoradas) teus entrelaçados cabelos são os risonhos afagos que mostra que o sonho és real. E nas pálpebras dementes que entregam a ti o meu ser, atiro silenciando o meu chamar-te querer ao solo firmado por teus pés.
Na valsa que entoa e ordena em círculos o bailar que relembra os corpos celestes, és entre mim e ti marcado compasso pelo tempo vil, que carrega com ele um sentimento chamado saudade que delgadamente em si ao passar para mim torna-se pesado; e nessas mortes constantes é ao teu reencontro que revivo e ressuscito. Se se morre de amor... Se vive novamente por ele cada instante quando se ama
(homenagem ao meu maior sentir, amor Natália___)