A primeira está relacionada ao que ocorreu com a nacionalização dos investimentos brasileiros na Bolívia por parte do presidente Evo Morales. Muito foi discutido sobre o que o Brasil deveria fazer, sobre o quão absurdo foi à ação do presidente boliviano, chegando os mais exaltados a erguer a bandeira de uma invasão brasileira.
A outra situação é mais recente e ainda não foi alvo de uma solução. Está relacionada ao desenvolvimento brasileiro de tecnologias ligadas ao desenvolvimento de combustíveis alternativos, com extração a partir da cana. Os biocombustíveis se apresentam como uma das alternativas para a dependência mundial em relação aos combustíveis fósseis e sobre os efeitos nefastos que esta tem sobre o meio ambiente.
Posto esses dois casos vamos considerar algumas situações e ver como deveria ser o discurso e como este é.
O primeiro caso é um típico de imperialismo. Um país utilizando dos recursos do outro, ressaltando que tal exploração ocorria a preços risíveis. Existe diferença entre o imperialismo brasileiro e qualquer outra forma de imperialismo? Uma vez contra a exploração estaniudense dos potenciais de outros países, inclusive no Brasil, não deveríamos ser igualmente contra a exploração brasileira a outros países? Esse foi um dos primeiros pontos a quais pessoas com opiniões sobre uma possibilidade modificam seu posicionamento quando o Brasil figurava como o opressor. Deveria existir essa diversidade de posicionamento?
O outro tema, biocombustíveis, é outra situação em que algumas pessoas podem sofrer um embate ideológico. A tensão entre a ideologia e o nacionalismo. O Brasil desenvolveu essa tecnologia, como é notório, e esta pode ser uma das grandes salvações para o globo para a questão ambiental. Qual deveria ser o posicionamento brasileiro em relação ao resto do mundo? A questão gira em torno da propriedade intelectual. Deveria está ser quebrada a patente em prol da humanidade, ou deveria ser mantida em prol de interesses particulares, por mais que seja uma nação, não deixa de ser um interesse secundário.
Boa parte das pessoas defende a ausência da propriedade intelectual, sendo o conhecimento pertencente à humanidade, não as pessoas específicas. O que deveria ocorrer seria uma utilização por parte da humanidade, não podendo ocorrer à submissão a interesses privados. Mas, mais uma vez, o Brasil encontra-se no pólo diferente da situação. Seu interesse será mitigado. Qual a resposta que deveria guardar compatibilidade com a ideologia daquele, mesmo brasileiro, que opta pela globalização da propriedade intelectual? Deveria ser pela concessão brasileira da tecnologia para os outros países, para que estes possam produzir.
O objetivo do seguinte comentário é justamente uma uniformização de opinião para situações onde o nosso está em detrimento, e que quando são os outros as pessoas são veementemente contra. Não é pelo fato de que interesses residuais possam vir a ser prejudicados que devemos deixar de lado posicionamentos anteriores adotados em certas situações, devemos manter a coerência ideológica e optar em todas as situações pela mesma solução, quando não há divergência substancial.
Por Evandro Alencar


