domingo, outubro 17, 2010

Para os que assistiram Tropa de Elite 2

Retratando uma das realidades que assolam nosso país, o filme, mutatis mutandis, faz alguns paralelos a estórias bem específicas do contexto político brasileiro.

Para uma resenha bem detalhada desses paralelos, vale a pena conferir o site Ambrosia (clique aqui). Não só apresentando as devidas comparações, o site também remete o leitor a links das reportagens da época.

Em época de eleição, isso nos dá alguns contornos de como somos facilmente manipulados pelos meios de comunicação em massa.

sexta-feira, outubro 01, 2010

I Semana de Pesquisa Jurídica da UFC

O Centro Acadêmico Clóvis Beviláqua, entidade estudantil da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Ceará, realizará, de 11 a 13 de novembro, a I Semana de Pesquisa Jurídica.

O objetivo é divulgar as atividades de pesquisa dos alunos de Direito e de grupos de áreas afins que desenvolvem estudos na graduação e na pós-graduação, bem como proporcionar a integração entre a comunidade acadêmica. Podem participar estudantes do curso de Direito e de outras áreas que desenvolvem pesquisa no campo jurídico, em qualquer instituição de Ensino Superior reconhecida pelo MEC e que estejam com matrícula regular.

As inscrições dos trabalhos acontecerão até as 23h59min do dia 17 de outubro, através do e-mail: semanadepesquisa@gmail.com.Os melhores trabalhos serão organizados para a confecção de um livro. Para fins de publicação, eles deverão ser enviados em formato de artigo completo. Mais informações através do telefone (85) 3366.7826.

Fonte: Centro Acadêmico Clóvis Beviláqua, da Faculdade de Direito da UFC - fone (85) 3366.7826

 

Obs: O edital se encontra disponível na sede do Centro Acadêmico Agerson Tabosa.

sexta-feira, março 19, 2010

É a ciência uma questão de fé?

Qual a menor distância entre dois pontos?
Todos saberiam dizer que a resposta é uma reta. Ok.
Quando tratamos de distância, obrigatoriamente, estamos tratando de espaço.
Mas, o que é um ponto no espaço?
Analisando a geometria, parte da matemática responsável pelo estudo do espaço, podemos perceber que tudo engloba o conceito de ponto. Uma reta é um conjunto de pontos traçados num plano seguindo uma única direção. Uma circunferência é um conjunto de pontos de um plano que estão a uma certa distância entre si de outro ponto, o centro. Este é um ponto equidistante de outros pontos num determinado plano. Desse modo, notamos que a noção de ponto é fundamental para o estudo do espaço. No entanto, paradoxalmente, para conceituar ponto podemos recorrer a tudo, menos o espaço. Não há como se determinar, precisamente, um ponto no espaço, visto que, se partirmos de uma visão microscópica, o mesmo sempre poderá ser identificado como figuras e não pontos. Um ponto no papel será um círculo. Um ponto desse círculo será outro círculo. E assim ad infinitum. Logo, podemos dizer que um ponto não pode ser mensurado; sem dimensão, portanto.
Trata-se de uma convenção nossa, em que aceitamos, como regra, sem consciência alguma disso, muito menos de suas implicações.
Manuel Soares Bulcão Neto, no livro Sombras do Iluminismo, vai mais além, prescrevendo que "todas as leis que descrevem relações estáveis e comportamentos gerais (por exemplo: dado x e y, então z ocorrerá), quando aplicadas a casos concretos, "jamais" traduzem-se em resultados cem por cento certos". Os exemplos podem ser os mais variados. Se, utilizando-se do exemplo do autor do livro, tentarmos aplicar a fórmula de Newton para a força gravitacional (F = G.m1.m2/d²), tendo em vista a Terra e a Lua, deparar-nos-íamos com inúmeros problemas que são, via de regra, desconsiderados: saber com absoluta precisão as massas envolvidas, a distância entre os corpos e a própria constante G, a qual compreende em suas formulações outras grandezas imensuráveis. Ora, diante disso, "Como essas invariantes, cujas grandezas são intrinsecamente imprecisas, figuram nas fórmulas que expressam as leis da Física (p.ex., E = m.c², F = G.m1.m2/d², etc.), a conclusão, portanto, é que toda lei estabelece para si mesma uma margem de indeterminação e incerteza". É assim que "a imprecisão imanente a todas as grandezas concretas, contém também em si o seu contrário: o Acaso".
Com isso, vemos que a ciência é baseada em dogmas, postulados e leis não tão precisas como imaginamos. As premissas, muitas vezes, não são bem esclarecidas. Estamos, até mais do que pensamos, sujeitos ao acaso, sem nem mesmo ter consciência disso.
Pra mim, talvez precisamos ter mais fé para com a ciência - porque sabemos, absolutamente, que ela nunca vai nos ser capaz de responder todas as questões da vida, mas, ainda assim, acreditamos nela - do que para com quaisquer religiões, pois, ao menos, estas nos deixam o benefício da dúvida.

Edvaldo Moita

sábado, janeiro 09, 2010

Fragmentos de um pensar: Publicidade e Consumo.

O ENCANTAMENTO DO HOMEM MODERNO E O FETICHISMO CONTEMPORÂNEO

De acordo com Carone (1989, p. 25) o fetichismo torna possível a falsa apresentação social da mercadoria. Esta, encantada pelo fetichismo esconde seu processo produtivo e se apresenta como possuidora de valores humanos. Vejamos: “ela reaparece, no final da análise, como um objeto não trivial, não como um meio para atender a um fim”.

Logo, as mercadorias não carregam consigo suas trivialidades e assim encantam o homem em suas aparições sociais. Tais encantamentos se dão através de valores divinos atribuídos a elas (antropomorfismo). Marx chamou esta divinização da mercadoria de fetiche. (CARONE, 1989). Fetiche porque esconde os processos produtivos da mercadoria, ou seja, todo o trabalho humano necessário para torná-la possível. Fetichizada, a mercadoria parece ter existência por si mesma distante de qualquer tarefa humana.

Já que este nosso trabalho se dispõe a analisar a publicidade e seu desenvolvimento técnico e sedutor até localizar-se na pós-modernidade, é pertinente a verificação das diferenças dos fetiches desenvolvidos por Severiano. O primeiro se estabelece no início da sociedade industrial, presenciado e criticado por Marx, e o segundo é o fetiche e seu valor-signo, encontrado na pós-modernidade. Possível através da modernização publicitária que tornou real o desenvolvimento da sociedade de consumo.

Na sociedade atual, os objetos de consumo não podem ser identificados por nacionalidade ou país de origem. Isso, devido às marcas que ao se desmaterializarem carregam valores que superam seu processo produtivo e sua nacionalidade. Logo, a pós-modernidade apoiada na publicidade possibilita apresentar os produtos de hoje como “produtos globais”, pertencentes a todos os países e ao mesmo tempo a lugar algum. (SEVERIANO, 2007).

As marcas e seu poder de encantamento

As marcas possibilitam uma identidade aos “produtos globais” através dos signos que a publicidade manipula tão bem. Hoje em dia, os produtos se desmaterializam mediante sua forma sígnica mais abstrata. Ou seja, as mercadorias se desvinculam de sua forma material mediante a publicidade e recebem uma associação que agrega à mercadoria valores e qualidade humana. (SEVERIANO, 2007). Ainda para maior esclarecimento deste cenário contemporâneo onde o homem pós-moderno encontra-se, Severiano (2007, p. 53) nos mostra que as mercadorias com a ajuda da publicidade ganham dimensão simbólica nunca antes vista.

Com a atual expansão, sem precedentes, de uma infinidade de objetos de consumo, não só as relações sociais de trabalho ficam camufladas, na forma de mercadoria, como se incorporam a ela, cada vez mais, poderes imateriais. Agora, a mercadoria além de incorporar/ alienar as relações sociais que produziram, também incorporam e alienam aspectos subjetivos referentes à felicidade, liberdade, personalidade e realização humana. O que à época de Marx tinha uma aparência de ‘coisa’- a mercadoria – desmaterializa-se e passa ter uma aparência de ‘signos’, absolutamente intercambiáveis em suas significações. Ou seja, a transformação do objeto em valor-signo continua a encobrir o caráter social do trabalho, pois o objeto continua a ser mercadoria, só que, como essa mercadoria/objeto consumo é, agora, predominantemente valorada em seus aspectos sígnicos, até a sua natureza material tende a diluir-se e o que aparece é o movimento de signos.

Para Severiano, os “produtos globais” no mercado capitalista pós-moderno em uma análise aparente, apresentam-se autônomos no que se refere ao trabalho material humano. Esta pseudoautonomia do objeto permite que haja uma inversão de papéis, o homem passa a ser o objeto despotencializado e a mercadoria com a ajuda da publicidade ganha autonomia para representar a felicidade, liberdade entre outras potencialidades humanas. A sociedade atual não compra apenas objetos, pois, a publicidade vende “estilo” e “atitude”.

Havendo assim um duplo ocultamento, o indivíduo não se conhece como produtor da mercadoria e não percebe mais a materialidade dos objetos, que nesta relação fetichizada encobre as mercadorias pelos signos que se referem aos objetos aos quais faz referência. Por conseguinte, a postura do homem pós-moderno diante dos “produtos globais” recebe o conceito segundo Severiano de “sociedade de consumo”, onde o valor da mercadoria concentra-se nos signos que sempre devem ser mantidos. (SEVERIANO, 2007).

Para ela, a simples mercadoria que ainda se demonstrava como coisa no século XIX e na modernidade, na pós-modernidade passa a ser objeto-fetiche e não guarda mais em si nenhuma característica de “coisa”. Utilizando-se dos elementos mágicos da publicidade eles possuem “estilos de vida”. O fetiche da mercadoria era quem dava característica material para as mercadorias e deixava transparecer a utilidade de cada produto. Com os recursos gráficos que o capitalismo desenvolveu a mercadoria pós-moderna ganha magia e de tanto deixar o receptor encantado em frente aos anúncios publicitários fazem seus receptores esquecer da “utilidade” de cada produto. Para melhor explicitação dessa diferença delicada, mas que, estrutura de maneira tão diferente os indivíduos ao ponto de merecer uma nova conceituação de fetiche da mercadoria para objeto-fetiche de consumo: “considerando que a compreensão do objeto-fetiche não se esgota na análise do fetichismo da mercadoria, uma vez que está tratando-se também de processos simbólicos” (SEVERIANO, p. 55) É necessário usarmos a argumentação de Severiano, (2007, p. 55) que se utiliza de Freud, para melhor entendermos o que significa fetichismo:

(...) Freud refere-se ao fenômeno do fetichismo como: ‘aqueles [casos] em que o objeto sexual normal é substituído por outro que conserva alguma relação com ele, mas é inteiramente inadequado para servir ao objeto sexual normal’.

Ainda nos utilizando das ideias de Severiano (2007 p. 56) para melhor compreensão do assunto: as duas condições para a ocorrência do fetichismo de consumo são:

‘o fetiche lugar do objeto normal’, ou seja, o objeto/marca, ao pretender realizar os desejos dos indivíduos, dotando-os de personalidade e estilo, resolvendo impasses e conflitos interpessoais, suprindo sua solidão e diferenciando-o dos demais, toma o lugar do próprio indivíduo como sujeito psíquico e social e, de suas experiências, na relação com a alteridade. Este seria o espaço original, onde a trama da personalidade, dos conflitos intra e interpessoais, da solidão ou da felicidade, se organizariam. Mas, entendendo à segunda condição de realização do fetichismo, o objeto de consumo transforma-se no único objeto ou meio de realização dos desejos humanos. Os demais são abandonados.

Temos nessa análise um encantamento dos indivíduos diante da simbologia objeto fetiche. Disponível socialmente através das peças publicitárias que têm a missão de divulgar no mundo capitalista tais ilusões ou irrealidades. O encantamento do homem e a desmaterialização da mercadoria são possíveis graças ao fetiche que se desliga do “objeto normal”, ou melhor, da mercadoria; e se apresenta como “estilos de vida” que devem ser possuídos.

Os valores que são compartilhados socialmente recebem importância em uma comunidade cultural. Segundo Bruner (1997, p. 34), “os valores são inerentes a compromissos assumidos com ‘estilos de vida’ e os estilos de vida, em sua complexa interação, constituem uma cultura”, ou seja, na maneira do indivíduo lidar com seus valores, adota consequentemente estilo de vida que lhe proporcionará autoidentidade. Na análise feita por Bruner, podemos nos arriscar a fazer uma ligação teórica com a análise psicossocial dos ideais de consumo na contemporaneidade, explicitada por Severiano, tão presentes nos anúncios publicitários que demonstram pertencer aos objetos os valores sociais. Assim, podemos dizer que os valores do homem pós-moderno se encontram na mercadoria desmaterializada pelos signos compartilhados pela publicidade que lhes oferecem fantasmagoricamente atributos exclusivamente humanos; como inteligência, sucesso e atitude. Desta maneira, a busca pelo personalismo identitário do homem pós-moderno a partir das mercadorias passa a ser estilo de vida, valores a ser atingidos. Logo, os valores, segundo Bruner, não se constituem como produtos isolados dos indivíduos, chegam a ser prática compartilhada, então a cultura no contexto pós-moderno se resume a uma busca por estilos de vida que só podem ser atingidos pelo consumo. Transformam assim, o homem contemporâneo em mero consumidor de signos apresentados pela publicidade. (BRUNUER, 1997).

Romenik Queiroz.

sexta-feira, novembro 20, 2009

O dos outros e o nosso

Uma questão interessante que deve ser levantada é o comportamento que as pessoas devem adotar ou adotam quando os nossos interesses são os que estão sofrendo algum tipo de mitigação, perante o interesse de outros. Pego como exemplo uma situação que ocorreu com o nosso país e outra que está ocorrendo.

A primeira está relacionada ao que ocorreu com a nacionalização dos investimentos brasileiros na Bolívia por parte do presidente Evo Morales. Muito foi discutido sobre o que o Brasil deveria fazer, sobre o quão absurdo foi à ação do presidente boliviano, chegando os mais exaltados a erguer a bandeira de uma invasão brasileira.

A outra situação é mais recente e ainda não foi alvo de uma solução. Está relacionada ao desenvolvimento brasileiro de tecnologias ligadas ao desenvolvimento de combustíveis alternativos, com extração a partir da cana. Os biocombustíveis se apresentam como uma das alternativas para a dependência mundial em relação aos combustíveis fósseis e sobre os efeitos nefastos que esta tem sobre o meio ambiente.

Posto esses dois casos vamos considerar algumas situações e ver como deveria ser o discurso e como este é.

O primeiro caso é um típico de imperialismo. Um país utilizando dos recursos do outro, ressaltando que tal exploração ocorria a preços risíveis. Existe diferença entre o imperialismo brasileiro e qualquer outra forma de imperialismo? Uma vez contra a exploração estaniudense dos potenciais de outros países, inclusive no Brasil, não deveríamos ser igualmente contra a exploração brasileira a outros países? Esse foi um dos primeiros pontos a quais pessoas com opiniões sobre uma possibilidade modificam seu posicionamento quando o Brasil figurava como o opressor. Deveria existir essa diversidade de posicionamento?

O outro tema, biocombustíveis, é outra situação em que algumas pessoas podem sofrer um embate ideológico. A tensão entre a ideologia e o nacionalismo. O Brasil desenvolveu essa tecnologia, como é notório, e esta pode ser uma das grandes salvações para o globo para a questão ambiental. Qual deveria ser o posicionamento brasileiro em relação ao resto do mundo? A questão gira em torno da propriedade intelectual. Deveria está ser quebrada a patente em prol da humanidade, ou deveria ser mantida em prol de interesses particulares, por mais que seja uma nação, não deixa de ser um interesse secundário.

Boa parte das pessoas defende a ausência da propriedade intelectual, sendo o conhecimento pertencente à humanidade, não as pessoas específicas. O que deveria ocorrer seria uma utilização por parte da humanidade, não podendo ocorrer à submissão a interesses privados. Mas, mais uma vez, o Brasil encontra-se no pólo diferente da situação. Seu interesse será mitigado. Qual a resposta que deveria guardar compatibilidade com a ideologia daquele, mesmo brasileiro, que opta pela globalização da propriedade intelectual? Deveria ser pela concessão brasileira da tecnologia para os outros países, para que estes possam produzir.

O objetivo do seguinte comentário é justamente uma uniformização de opinião para situações onde o nosso está em detrimento, e que quando são os outros as pessoas são veementemente contra. Não é pelo fato de que interesses residuais possam vir a ser prejudicados que devemos deixar de lado posicionamentos anteriores adotados em certas situações, devemos manter a coerência ideológica e optar em todas as situações pela mesma solução, quando não há divergência substancial.

Por Evandro Alencar

sexta-feira, novembro 13, 2009

Liberdade de Compartilhamento


Um assunto bastante polêmico e hodierno é o da livre troca de arquivos entre usuários da rede mundial de computadores. O compartilhamento de arquivos é a atividade de tornar filmes, músicas, assim como diversos outros tipos de arquivos, disponíveis para download na internet.

Acontece, porém, que tanto a indústria fonográfica quanto cinematográfica tenta frear, a todo custo, o avanço desse novo sistema de distribuição de informação e de cultura. Ora, os grandes produtores não querem ter seus lucros reduzidos. Alguns desenvolvedores de programas de compartilhamento, kazaa e Napster, por exemplo, foram processados judicialmente nos Estados Unidos por promover o compartilhamento de arquivos.

Surge, então, a seguinte interrogação: O direito de lucro do produtor de um filme (por exemplo) é mais importante do que o meu direito de informação?

Certa vez um professor meu afirmou, durante uma de suas aulas, que repudiava, veementemente, o compartilhamento de arquivos. Acreditava ele, e acho que ainda acredita, que são mais importantes os direitos intelectuais do produtor do que o direito à informação gratuita.

Assim rezava a opinião do docente: “Ora, eu só assisto, ouço e leio aquilo que eu tenho como adquirir. O que eu não posso comprar eu não compro num camelô nem baixo na internet. Só leio um livro se tiver condições de pagar por ele, caso contrário, paciência.”

Talvez, para esse professor, não seja tão difícil obter o livro que tanto almeja ler, pois possui recursos para tanto. Mas será que aquele indivíduo de classe menos favorecida também não tem o mesmo direito à informação? Deve ele esperar eternamente para comprar o livro que ambiciona ler ou o filme que quer assistir? Até que ponto pode-se privar alguém do direito de informar-se?

A informação deve ser dispersa e, não, concentrada nas mãos dos mais afortunados. É inconcebível que ela permaneça ad infinitum sob o domínio das mesmas pessoas.

Alforriemo-nos intelectualmente!

Afinal, fazer dinheiro não é o objetivo da cultura.

Por André Felipe

quarta-feira, novembro 11, 2009

Penso, logo existo?

É impressionante como hoje passamos a viver num mundo onde, cada vez mais, pensamos cada vez menos. É desde a mentalidade do concurseiro de plantão, cuja mediocridade do estudo reside no fim de só e somente só ser admitido em um cargo, nem mesmo interessando a atividade a ser desempenhada, até aqueles que passam uma parte da vida sentados num banco da faculdade sabendo que odeiam aquilo, mas esperam meio que uma providencia divina que os farão ter sucesso. Ainda mais, quando tentamos tomar um caminho oposto ao do "senso comum", somos taxados de tolos ou malucos.
Esquecemos hoje o que é o movimento estudantil. Estudar história só é importante enquanto matéria para o vestibular. Filosofia = lombra.
Quando pensamos em reivindicação, os conselhos são de que briga não nos leva a nada, e, mais tarde, poderemos precisar daqueles que queremos bater de frente. As amizades só possuem vínculo enquanto subsistirem interesses.
É ridículo quando simplesmente "criamos" um senso de moral ex nihilo para criticar os outros, sem quaisquer conhecimentos das circunstâncias e sem nem mesmo nos dar o trabalho de pensar o que faríamos se fossemos nós mesmos.
Talvez alguns dos pressupostos básicos da filosofia, criticidade e reflexividade, possam não ser tão fúteis assim.

quarta-feira, outubro 28, 2009

Não somente nas páginas dos manuais de filosofia e nos livros clássicos pode-se encontrar o conhecimento. Nas singelas conversas com os transeuntes, dos mais sórdidos e simples aos mais “requintados”, por vezes encontra-se o módico, mas profundo conhecimento que a vida leciona de forma tênue, mas com profundidade e extrema compatibilidade com a realidade. A vida trata de ensinar com o tempo as lições que nós buscamos nos livros. Afinal, as elaborações teóricas são frutos da observação da realidade prática unida com a divagação.

Outra forma tão importante quanto à observação da realidade, para o crescimento humano, é a música. Essa forma sensacional e profunda que ecoa no do fundo de nossas almas e chega como uma síntese do amalgama de sentimentos que envolvem as nossas personalidades são uma das mais belas e sensacionais formas de atuação do ser humano.

Depois dessas considerações iniciais, chego ao ponto que objetivo. A análise de uma música que, na minha simples ótica, demonstra o sentimento de tantas e tantas pessoas diante do ritmo frenético e sem sentido da modernidade. Tal música é “Minha Alma” que a banda O Rappa canta, de composição de Marcelo Yuka. Segue o link da música para os comentários adiante:



Uma leitura atenta da letra da música revela um sentimento que a cada dia envolve o ser humano moderno, combinando fragilidade e desespero. O ritmo frenético da modernidade, o processo de individualização e distanciamento do seres humanos, a falta de fatores unificantes levam o ser humano a se questionar sobre a sua própria existência.

O pseudo sentimento de estabilidade, sossego e tranqüilidade, que é passado em razão das grades que nos protegem das mazelas que negamos, na verdade nos excluem da própria vida. Deixam-nos à mercê da realidade e da vida. Passamos a ser meros expectadores de um circo em que optamos, ou talvez compelidos e atuamos como desconhecidos uns com os outros e sem grandes fatores que nos façam sentir realmente vivos, com sangue passando pelas nossas veias.

Os domingos recheados de entretenimento vagabundo tratam de afundar cada vez mais o ser humano na situação pusilânime que se encontra. Somos instigados a comprar coisas que não precisamos e tantas outras ferramentas funcionam como uma grande anestesia cerebral para a estabilidade da situação de uma minoria que lucra com a decadência de muitos.

A constante procura por novas drogas, de todos os tipos e gostos, é uma tentativa talvez inconsciente de negar a própria realidade, o processo de emancipação espiritual e social é de tão maneira árduo que preferimos acreditar que a situação está bem da forma posta do que lutar por uma efetiva modificação da situação.

Até quando vamos aceitar a realidade medíocre não somente nossa, mas de tantos outros que vivem numa situação por vezes pior, bem pior, vendo o futebol e esperando o Faustão, tomando uma cervejinha? Até que ponto o medo e a indiferença vão tomar conta de nossas mentes e comportamento?

III Curso de Oratória

"Em nossa sociedade atual a verdade não é mais uma questão de autoridade, mas de convencimento." Romenik Queiroz

Primeiro encontro do Curso de Oratória contou com diversos alunos de Fortaleza:

Queremos comunicar a todos que o I Encontro do Curso de Oratória (Comunicação Integrada) foi realizado no dia 24 de outubro e foi uma grande contribuição para os que estavam presentes. No momento, chegamos a um consenso e adiamos o II encontro para o dia 7 de novembro (Sábado) para formarmos uma nova turma para o dia 31 (sábado/outubro) e assim, o término do curso acontecerá no dia 7 de novembro com as turmas que iniciaram o curso nos dias 24 e 31 de Outubro.
Será uma troca de experiências, onde a timidez será enfrentada em benefício do convencimento.
31/10 e 7/11
Horário: 8:00 as 12:00 horas.

Facilitador do Curso e Organizador: Romenik Queiroz- 81340674/romenikqueiroz@hotmail.com

sábado, outubro 24, 2009

Um Elogio ao Ócio



Um dos grandes problemas vividos hoje se volta para a falta de tempo enfrentada pelo homem, principalmente, devido ao que podemos chamar de "crença nas virtudes do trabalho".

Antes de entrar no mérito acerca dessas virtudes, é necessário dizer que, de modo algum, não trabalhar é o melhor caminho a ser seguido. Muito pelo contrário, o trabalho é necessário para que possamos suprir muitas de nossas necessidades. É com o dinheiro arrecadado que podemos nos alimentar, comprar vestimentas, cuidar da saúde, higiene, etc.

No entanto, é importante distinguir até que ponto o trabalho é realmente necessário e até que ponto o mesmo é apenas feito como forma de se mostrar como um ser competente. Hannah Arendt, na obra "A Condição Humana”, mencionava três atividades fundamentais do ser humano: o labor, o trabalho, a ação. A primeira se trata do processo biológico pela sobrevivência. A segunda se refere ao fazer, criar, um produto por técnica ou arte; no que os gregos chamariam de “poiesis”. A terceira se exerce entre os homens, sem mediação das coisas ou da matéria, ou seja, a própria práxis.

Observa-se hoje a tendência do mundo industrial em transformar toda a atividade em labor. Talvez através de uma estruturação de um sistema de valores que impõem o trabalho como condição essencial de dignidade, talvez com o repúdio ao ócio, sendo este tratado como, na maioria dos casos, o melhor lugar para que se produzam os vícios. Crê-se que o trabalho é bom e, ainda que você de algum modo não precise dele, deve fazê-lo, visto que o mesmo é tratado como sinônimo de honestidade, de integridade moral, de respeitabilidade. Até mesmo na seara criminal, o trabalhador é visto como um homem de bem, com grandes chances a obter os mais diversos benefícios legais que possam lhe garantir uma possibilidade de responder um processo em liberdade.

Pode-se dizer que essa mistificação do trabalho teve um dos seus ápices na reforma protestã, encadeada por Calvino, em que se consideravam salvos aqueles escolhidos por Deus e, para que se pudesse provar ser um escolhido, seria necessário seguir os princípios cristãos e, principalmente, trabalhar muito. Assim, o sucesso no trabalho é um dos sinais de que você foi escolhido para ser salvo.

Porém, sociólogos, como Weber, demonstraram que esse apego exacerbado ao trabalho, em parte, explica o precoce desenvolvimento do capitalismo em lugares onde o Calvinismo foi mais intenso, tais como Holanda e EUA. E, a partir dessa perspectiva, é que o trabalho, aqui tomado no seu sentido econômico, que visa à produção de riqueza, começa a tomar proporções extremamente desfiguradas e, em certa medida, é considerado um valor quase sublime, cujas consequências, dentre outras são as aversões ao não trabalho.

Bertrand Russel, em “O Elogio ao Ócio”, demonstra muito bem como o ócio é, em grande parte, responsável pelas evoluções sociais. Basta fazer uma linha histórica, em que os grandes pensadores vieram da classe ociosa, ainda que esse ócio se deva ao sobretrabalho dos outros.

Tendo-se em vista a disparidade entre o número de pessoas que realmente contribuíram para o progresso social e a quantidade dos que nada fizeram, é o ócio a maneira capaz de proporcionar uma vida em sociedade muito mais leve, já que é muito mais fácil encontrar a felicidade e a realização pessoal no lazer do que propriamente no trabalho. Assim, a não exaustão proveniente do trabalho combinada com uma quantidade de lazer o suficiente podem redirecionar a capacidade criadora do ser humano para a realização “de alguma atividade pública, e [...] não terão a originalidade tolhida e nem a necessidade de se amoldarem aos padrões estabelecidos pelos velhos mestres” (O Elogio ao Ócio. Bertrand Russel. Pág. 35).

Edvaldo Moita

quarta-feira, outubro 14, 2009

Uma querida linha


Resplandecer diante dos fenômenos naturais da vida significa atingir o mais alto cume do sentir. É elevar-se em uma dinamização sentida no respirar ofegante na ausência dos abraços e do fitar dos olhos que castanhos clareiam um coração em chamas. "é transformar um minúsculo" gesto em uma contemplação ELEVADA... Que alcança o embelezar do sorriso que não mais nos pertence. Nos constantes ermos sentidos na fraqueza salgada (lágrimas enamoradas) teus entrelaçados cabelos são os risonhos afagos que mostra que o sonho és real. E nas pálpebras dementes que entregam a ti o meu ser, atiro silenciando o meu chamar-te querer ao solo firmado por teus pés.
Na valsa que entoa e ordena em círculos o bailar que relembra os corpos celestes, és entre mim e ti marcado compasso pelo tempo vil, que carrega com ele um sentimento chamado saudade que delgadamente em si ao passar para mim torna-se pesado; e nessas mortes constantes é ao teu reencontro que revivo e ressuscito. Se se morre de amor... Se vive novamente por ele cada instante quando se ama
(homenagem ao meu maior sentir, amor Natália___)

quarta-feira, outubro 07, 2009

De um verdadeiro Pacificador.


Filhos da terra.

* João Bosco Barbosa Martins

* Ana Emília Baracuhy Cavalcanti


"É preciso permitir que alguém nos ajude, nos apóie, nos dê forças para continuar. Se aceitamos este amor com pureza e humildade, vamos entender que o Amor não é dar ou receber - é participar."

Paulo Coelho, escritor

Vamos continuar o nosso raciocínio a respeito de algumas atitudes que podem melhorar a paz do mundo.

Poderemos começar a praticar a humildade. O que é humildade? Humildade vem do Latim "humus" que significa "filhos da terra".

Temos assim muito que aprender com a humildade. Ela é sinal de sabedoria. Humildade não é sinal de fraqueza ou falta de auto-estima. Humildade é uma certa chave para a transcendência humana. Humildade é a sensibilidade na flor da pele. É aquele estado em você sente que pode ser melhor do que é e que pode esperar mais de si mesmo. A humildade é silenciosa e ativa.

Os psicólogos dizem que essa virtude anda de mãos dadas com a paz interior. Quanto menos nos sentirmos com vontade de provar alguma coisa para alguém, mais fácil será o nosso caminho em busca da paz. Não é fácil praticar esse valor da alma, pois, neste mundo de competição, cada vez mais desejamos mostrar a nossa capacidade para o semelhante. E aí como a gente fica? Um dado importante: quanto mais nos exibimos, mais os outros tendem a nos evitar. É uma prova que pode nos desencorajar para a conduta de contar vantagem. A maneira de aplicar a genuína humildade é a prática. Poderemos começar a resistir à tentação da vontade da vangloriação. Já é um grande caminho a ser seguido.

Para o escritor Raul Franzolin Neto “Não há dúvida alguma de que a característica comportamental do ser humano, a humildade, influi de maneira decisiva nos rumos da vida em sociedade. Desde os tempos mais longínquos de vida na Terra, em que a natureza obrigava o homem a empregar grandes esforços na sua luta pela sobrevivência em um mundo hostil, é de se esperar que a união em harmonia e equilíbrio promova melhores resultados do que a sociedade onde impera a vaidade, o orgulho, o individualismo e a falta de humildade em atos e ações”.

Assevera, ainda, que nos dias modernos, com o avanço científico e tecnológico, onde a transformação de bens materiais brutos em componentes imprescindíveis à vida do homem moderno, cada vez mais a competitividade na geração do trabalho pessoal e coletivo torna-se maior e mais forte, sendo o fator humildade o grande diferencial para o sucesso de um ser que busca ser mais feliz.

Que tal começarmos a aplicar outro importante ensinamento do autor Richard Carlson que diz: "Outra forma excelente de gratidão e Paz interior é gastar um momento, todos os dias, pensando em alguém a quem devemos amar". Poderemos aplicar logo pela manhã essa dica. Façamos a seguinte pergunta: "Quem vou escolher para amar no dia de hoje?" Perceberemos que a imagem de alguém aparecerá em nossa mente! Será o início para focarmos a nossa mente para o amor e paz do mundo.

Que tal também fazermos o seguinte: elogiarmos todo dia pelo menos uma pessoa de nosso convívio por algo que admiramos, gostamos ou apreciamos nela. Esse ato não tira pedaço de ninguém, não exige muito esforço e rende relativas dádivas. É um gesto de caridade e amor. Significa que nossos pensamentos estão de olho no que há de melhor em nossos amigos. E quando a nossa mente está sintonizada em uma direção positiva, logo nossos sentimentos ficam mais pacíficos.

Pé na tábua e vamos refletir juntos sobre essa orientação. A nossa paz de espírito melhorará significativamente e a paz do mundo receberá uma grande contribuição.

* João Bosco Barbosa Martins é Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil. É, também, poeta, ativista pela paz e não-violência, coordenador do Projeto “Fortaleza em Paz” e é membro da Associação Cearense dos Escritores (ACE) e colaborador da Associação de Combate ao Câncer Infanto-Juvenil (Associação Peter Pan).

* Ana Emília Baracuhy Cavalcanti é Auditora-Fiscal da Receita Federal do Brasil, escritora e ativista pela Paz e Não-Violência.


Um abraço João Bosco. Você merece este espaço como humilde símbolo honroso pela sua trajetória de vida imprescindível. Romenik Queiroz.

sexta-feira, setembro 04, 2009

7 de Setembro




7 de Setembro

Dona Madalena desceu do ônibus e logo avistou a multidão. Reparou em diversas alas espontâneas: capoeira, crianças e adolescentes apitando, jovens sorrindo, mulheres conversando... Onde deveria ficar? “Um negócio desses e eu aqui sozinha. Comadre Violeta devia ter vindo. Onde fico, meu Deus?” Reparou nos cartazes. Não sabia ler rápido, mas como as letras eram grandes... Movimento dos Conselhos Populares, Central dos Movimentos Populares “Engraçado, é só trocar as letras de lugar”, Vila Gegê, Movimento dos... Pastoral... As bandeiras se agitavam com o vento e dificultava a leitura de Madalena. Nada. Ela não encontrava nenhum cartaz que lhe dissesse onde ficar. “Melhor ficar aqui, nessa sombrinha”. Começaram a cantar. Pegou uma folhinha... Fez careta para a letra miúda. Pegou dois, três, quatro papéis... Quando olhou a sacola estava cheia... “ Será que esse povo lê tudo isso?” Cantou, cantou e não achou nenhum conhecido.
Depois de cinco ou seis gritos de bom dia! anunciaram, lá do alto de um caminhão, que o momento seria aberto oficialmente pelo seu Osmar, um homem do povo. “E tava fechado? E todo mundo aqui não é povo, não?” O homem simples, maltratado pela vida falou em forma de repente. D. Madalena balançava a cabeça, sorria, só resmungou quando ele disse que pobre não presta. “Que história é essa? Pobre presta sim e muito. Tá certo que tem uns preguiçoso, mas prestar, presta sim”.
Mais música. Palmas. Agora quem fala é o bispo. D. Madalena bate palmas. Também gostou do que ele disse, mas também resmungou ao ouvi-lo dizer que desejava que um dia não existissem mais momentos como aquele. “E como é que acaba com os pobres? Todo dia nasce mais e mais... Será que se acabassem os pobres acabavam os políticos? Por falar neles, não tem nenhum no palanque... Melhor nem pensar nisso, aqui nesse sol...” Mais música. Essa, Madalena conhecia! Tocava muito antigamente: um canto, um lamento de dor. Madalena agora se esforçava para ver o que estavam montando ou desmontando num caminhão ao lado. Era o mapa do Brasil. “Palavras bonitas. Devia ter um telão como passava na televisão. Dava pra ver melhor”.
Começou a caminhada. “Tava na hora”. Madalena vai olhando e andando. “Quanto terreno sem gente. Quem será os dono disso tudo?” O sol forte. Uma mocinha lhe ofereceu água. Madalena agradeceu sorrindo. Olhou para trás e ficou com vontade de ver toda aquela gente lá do alto. “Quantos tão aqui?” Não sabia responder. Uma velha cacique começou a falar sobre o sofrimento do povo dela. Um grupo poderoso está destruindo as terras dos índios e até disseram que não tem índio aqui. “Como é que alguém diz que índio não existe?” Refletia Madalena. “Mulher forte. Nem chorou. Também chorar pra quê? Nem Deus dá mais jeito em nada, mesmo”.
Mais música. Madalena lamentou não ter nenhuma bandeira para levantar. Talvez por isso se aproximou de uma faixa grande que estava sendo carregada por duas moças, um rapazinho e uma freira que dançava para lá e para cá. Madalena segurou e dançou também. Seguiu com eles. Tomou mais água. Comeu uns biscoitos. Teve vontade de perguntar o nome deles, mas ali isso não fazia falta. Parecia que todo mundo já se conhecia. E Madalena dançou, cantou, vaiou todos os ricos que acabavam com o sossego dos pobres e pouco se importou com o sol.
Quando finalmente chegaram ao final da caminhada, Madalena olhou a frase da faixa que ajudara a carregar: Os excluídos nos incomodam porque questionam a nossa capacidade de amar. Madalena leu quatro vezes para decorar. Era uma excluída. Morava num barraquinho velho, mas limpinho. Só tinha um menino que ela criava de 15 anos, que graças a Deus, estava estudando para ser gente e fugir das drogas. Ela lavava roupa e vendia papel. Ela era uma excluída sim. “Mas será que incomodo alguém? Será que todo mundo ali incomodava?” Não sabia responder direito, mas sabia que ali tinha se sentido amada. Ia contar tudinho pra comadre Violeta. “Quem sabe nesses papel não tem o endereço para eu participar sempre”. Madalena pegou o Grande Circular e voltou para casa. Oxalá, no próximo ano ela venha em um ônibus de alguma comunidade.

Rejane Nascimento.
Integrantes do conselho editorial da Premius Editora.

sexta-feira, agosto 07, 2009

Wilmar Silva e Seus Dribles de Letras




Wilmar, se tu fosses um jogador de futebol, serias um garricha,pois, não é normal zombar das palavras com a facilidade de quem leva uma bola, matá-la no peito e quando todos esperam o provável (de fazeres o gol) você dando passes de letras faz do interlocutor um rei pelas suas invenções geniais. E por assemelhar-se com aquele que fugindo do tradicional zombava dos adversários, não vejo obstrução em seus dribles "significantes" só porque pede auxílio às mãos. Logo, ninguém melhor que a estrela solitária no tempo mais artístico que nosso país viveu para refletir o brilho imprescindível de suas ações que deixam tortos os protetores de velhas ordens aprisionantes.
Lotaremos um estádio e compraremos um ingresso para admirarmos o seu futebol. Vai, volta, gira, cruza Wilmar! A nova geração que surge quer vencer o jogo.
Esta mensagem representa uma homenagem do grupo: Por Um Fato Revolucionário. (Romenik Queiroz)


segunda-feira, agosto 03, 2009

Wilmar o imprescindível.

Wilmar Silva e Fernando Aguiar em Portugal.
aspirar Wilmar Silva

a a ar s s
re a ar s
sp a ar s
ir a ar s
AR a ar s

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pi a ar s
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s s ar a a




estuário

Wilmar Silva

ninguém é uma pedra por
que ninguém se torna uma
pedra porque uma pedra é
uma pedra
ningué é uma pedra por
que ningué se torna uma
pedra porque uma pedra é
uma pedra
ningu é uma pedra por
que ningu se torna uma
pedra porque uma pedra é
uma pedra
ning é uma pedra por
que ning se torna uma
pedra porque uma pedra é
uma pedra
nin é uma pedra por
que nin se torna uma
pedra porque uma pedra é
uma pedra
ni é uma pedra por
que ni se torna uma
pedra porque uma pedra é
uma pedra
n é uma pedra por
que n se torna uma
pedra porque uma pedra é
uma pedra
é uma pedra por
que se torna uma
pedra porque uma pedra é
uma pedra



acauã Wilmar Silva

acauã acauã acauã

A dor da minha mãe
Dor da mãe da minha mãe
acauã acauã acauã
Dor da mãe da minha mãe
A dor da minha mãe

A dor da mãe
Dor da mãe da mãe
acauã acauã acauã
Dor da mãe da mãe
A dor da mãe

acauã acauã acauã

Dor da mãe da mãe
A dor da mãe
acauã acauã acauã
A dor da mãe
Dor da mãe da mãe

Dor da mãe da minha mãe
A dor da minha mãe
acauã acauã acauã
A dor da minha mãe
Dor da mãe da minha mãe

acauã acauã acauã



Poemas concedidos pelo próprio Wilmar Silva que esteve em Portugal dando continuidade ao projeto PORTUGUESIA.

sexta-feira, julho 10, 2009

Poema de Cristiane Grando

“A poesia é palavra que não fere o silêncio.”Jorge Bercht


ais

fotografias em preto e branco
são o tempo dos meus pés-criança
e do balanço que suspende
fotogramas de agosto:
pedras esculpidas por silêncios e águas
diamantes nos olhos, inocência
o nada

digitais
de corpos dedos e ossos:
estilhaço as fotos em que não te vejo

oh paisagens e personagens
silêncio vivo em velho papel fotográfico

cheiro das águas e do mato

tempo:
quando menos se espera
é o leite no fogão
derramado (Cristiane Grando; do seu novo livro Titã)


Este poema é do novo livro da professora Cristiane Grando que nos enviou e permitiu que divulgassemos em nosso blog. Agradecemos professora pelo apoio que temos recebido.

terça-feira, julho 07, 2009

Homenagem ao poeta português ZECA AFONSO


MENINO DO BAIRRO NEGRO

(poesia divulgada no programa Papo Literário TVC, dia 09 de maio)


Canta tu à vida

Pede o pão Lança teus pés neste chão

Sombra não há

Só tu pode te salvar

Canta tua vida menino vem ver o mar

Se teu bairro quiser

Pode acompanhar

Com latas de esperança

Nos faz te olhar

E pela escuridão te clareia

Sem medo do patrão do teu pai

Se a lua falhar uma noite

Ainda encoraja-te e vai

Tem gente esperando a hora

É só entonar as primeiras

Depois que ouvirmos a voz

Surgirar as trincheiras

Em que consiste tuas lágrimas

Se não para alimentar o ladrão

Veja, os amigos vieram com a solução

Só tu pode te salvar

Canta tua vida menino vem ver o mar

Calado um dia, nunca mais

O Bairro Negro não te satisfaz

Grita em alto e bom som

A ave que roubava o tom

Caíra na vala da oposição

A liberdade chegou

Seus raios esclarecem

A luz é teu olhar que cada vez cresce

O coral já transforma

A vida de outrora em um novo agora.

Canta tu à vida menino

Que ela corta os que têm

Se um dia puderes nos liberta também... (Romenik Queiroz).

Evento de literatura realizado pelo GRUPO



O NOSSO TRABALHO É ALIMENTADO PELA UTOPIA!

Homenagem à Cristiane Grando (Pós-Doutora em literatura e professora da USP e Unicamp, atualmente preside o centro de cultura Brasil-República Dominicana), Wilmar Silva (Poeta mineiro e idealizador do projeto terças – poéticas, em Minas Gerais e autor da obra ANU), Fernando Aguiar (Poeta e Design português). Todos, participantes do evento que o grupo POR UM FATO REVOLUCIONÁRIO promoveu na Faculdade 7 de Setembro. Muito obrigado, professora e professores.
FRASES: "Ok, Romenik. Aqui é para afirmar que vamos juntos nessa loa. Só é possível falar da realidade quebrando os vidros da realidade. Maravilha sua Fortaleza, que eu rebatizei de Flortaleza Martins. Você tem a velocidadede de quem deseja o sol. Mergulhe na verdade da protolinguagem. ANU é para você reinventar. Vai meu abraço. E a certeza de que voltarei a Fortaleza." Wilmar Silva.
"Querido Romenik, para mim foi um prazer conhecê-los! Pena que tínhamos pouco tempo naquele dia e vários participantes para falar... A caminho do que não se pode ainda ver... acho que existem muitos cegos que vêem muito mais que algumas pessoas que têm visão "perfeita"... gostei do diálogo com você. Sigamos em contato. Um abração." Pós-Dr.Cristiane Grando.

segunda-feira, julho 06, 2009

50 ANOS DE REVOLUÇÃO CUBANA















O sonho é o pricípio da ação

Nos dias, 20 e 21 de maio foi realizado o evento que discutiu a relevância da Revolução Cubana para à história social. Compareceram, nomes importantes da militância política nacional, Tarcísio Leitão (vice-presidente do PCB), Roberto Pontes (professor da UFC), Lenine Quaresma ( militante e tio do revolucionário Custódio Quaresma, morto na guerrilha do Araguaia), Gilvan Rocha (Fundador do PT e do PSOL no Ceará) e Carlos Bittencoult (professor de comunicação da Fa7). Representando os desejos do grupo esteve como palestrante, Romenik Queiroz. Romenik falou da importância de uma ação crítica que analise as consequências do capitalismo; entre elas, a exploração inescrupulosa do meio ambiente.

Por um Fato Revolucionário

INTEGRANTES DO GRUPO NO EVENTO: 50 ANOS DE REVOLUÇÃO CUBANA.